AQUELES ODORES


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E ele tinha um cheiro peculiar. Cheirava a mato, suor, hortelã e chuva.

De uma forma estranha – desde que ele me abraçara pela primeira vez - aquele cheiro ficara impregnado em mim e eu sabia que nunca mais sairia, mesmo que eu me banhasse com o melhor e mais caro perfume de toda Europa.

Eu estava perdida nele...

Estava perdida no que ele me envolvia, nas sensações que ele me proporcionava. Na forma como ele fazia eu ver as coisas de um modo diferente ou como ele fazia eu me sentir completamente especial e amada.
Ele me fazia perceber o quanto eu precisava de amor; de como eu precisava do amor dele.

Estar na presença dele, era como estar na presença de todos aqueles odores, simultaneamente.

Quando eu experimentava o cheiro de mato eu me sentia em uma vida diferente.

Como estar no meio da floresta sem saber se você iria atacar ou ser atacado.
Como uma tigresa que fareja a natureza mais de perto, que está a procura de algo para alimentar seus filhotes, e então ela se esconde atrás de um arbusto esperando o momento certo para dar o bote na presa que dorme tranquilamente à sua frente;
Mas também é ser o veado adormecido que não sabe o que lhe está a caminho - que em poucos segundos perderá sua vida.
Ele é imprevisível, assim como a vida na selva.

O cheiro de suor era como correr uma maratona inteira, e dar tudo de si pelo primeiro lugar.

Como experimentar a água salgada escorrendo pelo seu corpo...
Descobrir que você pode suar em lugares que você nem imaginava.
Mas ao invés de sentir-se imundo, é sentir-se orgulhoso por chegar onde chegou, porque deu seu máximo, e foi reconhecido.

O cheiro doce.

Aquele que você mais aprecia, aquele que você decora por muitas e muitas vezes e acaba virando o da sua flor predileta, do seu travesseiro, das suas roupas...
O seu cheiro.
Sua vida ganha um aroma diferente e mais belo, um aroma mais vívido e delicado.

E o cheiro de chuva.
Você observa gota a gota cair do céu, e procura um lugar de abrigo pra se refugiar.
Ele é o abrigo.
Mas ele, também é o nem pensar duas vezes e se jogar em meio a tempestade, sem se importar com os raios e os trovões.
Ele é como dançar em meio a chuva, com os pés descalços.
Como colocar a língua pra fora e beber daquela água.
Como ficar ensopado sem se importar com mais nada!
Ele é como o cessar da chuva, e aquele cheiro molhado que vem depois.
Ele é como a chuva de verão, forte e intenso.
E também, como uma garota, leve e confortante.

Ele é aquela fragrância nostálgica que vem com o vento quando você menos espera e te faz lembrar de todos os outros aromas. E dá uma sensação de lar.

O cheiro do beijo dele, que só ele possui. O cheiro da pele dele. O cheiro da respiração dele.
E então você acaba preferindo, viver perto do mato, praticar muito exercício físico, mascar chiclete de hortelã, beber água da chuva, só para sentir aquele gosto novamente em sua boca.
O gosto dele.
E viver todas as sensações que ele proporciona repetidas vezes.


Comments 7


simplesmente apaixonante

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07.09.2019 03:26
0

good work !

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07.09.2019 08:32
0

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08.09.2019 02:50
1

LIndo texto, sucesso !

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08.09.2019 02:51
0

mandou bem menina

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08.09.2019 03:15
0

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09.09.2019 20:30
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